O post que antecede as férias…

•Julho 3, 2009 • Deixe um comentário

As férias! Desculpem pela empolgação… Apenas não tenho motivo para estar menos empolgado do que isso. Lembro até hoje quando fiz meu primeiro post nesse blog (que não é atualizado mais com tanta freqüência). Inseguro e apressado eram as duas palavras que me definiam naquelas primeiras linhas. Comecei a princípio falando de mim, depois incrementei e até postei partes de um conto no qual eu escrevia (e ainda aguardo minha mente dar continuidade). E bom, para quem está se perguntando o por que ou sobre o quê será esse post, a resposta é simples: As férias!

Sim, alguns já estão aproveitando-as, outros como eu, estão (E como estão!) se preparando para elas. Claro, logo nota-se que os preparativos são diferentes daqueles que antecedem o verão. As academias não ficam lotadas com a sede desenfreada do halterofilismo e as garotas não se sujeitam a bronzeamentos artificiais pra estarem naquela “corzinha” pra quando chegar o descanso. Mas ainda sim, as férias do meio de ano tem um gostinho especial. Para alguns, vem com um friozinho espetacular. Para outros vem com um clima tropical. Para outros apenas simboliza aquele merecido descanso do trabalho ou do colégio/faculdade. Para alguns significa ver os parentes que não se tem notícia há séculos. E para alguns poucos casos significa rever ou ver aquela pessoa que você aguarda há tempos. E vocês? Como estão se preparando? Eu particularmente estou em um clima meio… Como posso dizer? Frenético.

A pressa de tentar não se embolar com as provas finais do colégio se mistura com o já enrolado projeto da famosa feira de ciências, e termina na mais temível (mas ainda sim, prazerosa) ansiedade da espera. Sim, como poucos, mas já suficientes, sabem, estou apenas aguardando uma pessoa chegar. E claro, não poderia faltar nesses poucos dias que antecedem isso, momentos dignos de ‘Diego’. Não entrarei em detalhes, apenas por conta da minha curiosidade excessiva e boba, posso afirmar que criei sem querer um clima tenso entre os dois. Deixei a entender que não confiava nela ou outras coisas que ela pode ter pensado, sendo que ela é a única pessoa em que realmente deposito tanta confiança e tento transmitir o mesmo. Sabe aquela pessoa em que você pode olhar nos olhos dela, seja por foto ou pessoalmente e afirmar que todos os seus problemas se tornam distantes e pequenos ao menos naqueles segundos? Pois é, é assim que eu me sinto quando fico vendo fotos dela e me arrependendo apenas de não tê-la conhecido antes. Sabe aquela pessoa em que você para e olha no espelho, dizendo “Cara, como você mudou da água pro vinho”. Pois é, eu mudei com o tempo. Frieza e o famoso bordão “tanto faz”, simplesmente não faz mais parte do meu cotidiano. E eu me sinto feliz assim. É óbvio que há tempos atrás nem passaria pela minha cabeça escrever tão abertamente sobre alguém, da forma que escrevo hoje. Sequer cogito a possibilidade de magoá-la de propósito, mas infelizmente estou longe da perfeição. Sim, desde pequeno sou curioso, embora minha impulsividade tenha aparecido um pouco mais agora pelo simples fato de ser algo tão bom que às vezes não sei ao certo como agir, e coloco os pés pelas mãos. Não, não tenho vergonha de dizer isso, admito que sou desastrado. Não encaro isso como infantilidade, pelo contrário. Sei que tenho defeitos e qualidades e é com a ajuda dela que venho moldando-os da melhor forma possível. Falo sem pensar com ela, pergunto sem pestanejar, não meço conseqüências e por vezes acabo me colocando em situações cabulosas ou estragando sua tarde ou minha noite no colégio, me preocupando e confundindo o nome da professora com o dela enquanto minha cabeça vagava na hora da explicação de trabalho e meu rosto corava. Nessas horas só me resta colocar a mão no rosto e rir de mim mesmo como o resto dos alunos fizeram. Mas não pude rir ou fingir que nada acontecia quando deitei a cabeça no travesseiro e percebi que ainda tava com o pensamento nela. Quero apenas poder recebê-la com aquele beijo caloroso e lhe abraçar forte sem lembrar dessas besteiras que faço e não deixar mais que esses atritos bobos causem esse tipo de coisa. Quero poder rir quando for chamado de trouxa como vejo que muitos casais são chamados pelo simples fato de aguardarem pacientes por um momento bom. Ou de vê-la rindo ao me ver com o rosto lambuzado com sorvete (alguns engraçadinhos dizem que não faço isso sem sujar toda a cara) ou ainda sim com muito esforço, tentar rir quando você certamente me zoar com minhas canelas cabeludas ou meus pés felpudos como você disse (o pior é que agora também acho graça ao vê-los…). Ah, e claro, quero também deixar de forma bem explícita aqui que realmente minha paciência tem um limite curto quando se referem de forma tão banal a mim, a ela ou a qualquer coisa que me diga respeito. Ser homem não é sustentar um vício qualquer ou se gabar no fim de uma festa. Vai muito além disso.

Enfim, quero mesmo é poder  chama-la de minha ruiva pessoalmente e comprovar as barbaridades que dizemos naquela janelinha que se falasse, nos colocaria em maus lençóis. Vejam que interessante, mais uma vez eu falei de mim! Antes que me chamem de egocêntrico e os poucos que lêem isso aqui abandonem meu blog, vou indo nessa.

Para aqueles que tiveram paciência de passar aqui mais uma vez, desejo ótimas semanas de férias, aproveitem o máximo que puderem da forma que lhes convém. Aqueles que já estão de férias, digo o mesmo. E para aquela que não tenho mais a vergonha que eu teria antes, de afirmar algo sobre ela na frente de todos ou de ser zoado pelos amigos por conta disso… Apenas um rosto avermelhado quando terminar de ler, e um ‘Eu te amo’ orgulhoso por tê-la em minha vida e por ser quem você é.

Um grande abraço a todos, Sentirei saudades.

Até depois das férias!

Diego Dias

Ho!Ho!Ho!… Opa! Data errada… Feliz dia dos namorados!

•Junho 12, 2009 • Deixe um comentário

Ah, dia 12! Demorou mas chegou, e chegou da forma mais inesperada possível, com as velhas serenatas, bombons, flores  (Embora essas coisas não sejam nem um pouco inesperadas) jóias sendo furtadas (Afinal, ladrões também amam, certo?) e um escritor inexperiente tentando pagar uma dívida, um tanto cabulosa. Embora seja uma data “comemorativa” como qualquer outra, é um pouco mais calorosa, afinal de contas, convenhamos, na certa muitos devem estar coladinhos naqueles que mais gostam, dizendo barbaridades íntimas ao pé do ouvido, fazendo carícias e dando beijos que os fazem deixar tudo para a última hora e desejar que aquele momento dure pra sempre. Infelizmente existem alguns que não tem tanta sorte e necessitam encarar a distância com uma frieza que nem sempre é totalmente efetiva, superando certas barreiras e torcendo para que os dias que antecedem um novo encontro passem voando..

E você? Já disse um eu te amo sincero, simplesmente assim, do nada, para sua ou seu namorado ou namorada? E o que diabos estão esperando? Às vezes até passa por nossas cabeças (Em meio a outros pensamentos que não prestam), reflexões meio profundas de como tudo ocorreu. E é geralmente nessas horas que nos vem à cabeça, a imagem daquela pessoa que teima em não sair dela. No meu caso, uma garota ruiva de pele clara e personalidade forte que entrou na minha vida há quase um ano atrás. Não sei nem ao certo, como vou dizer certas coisas daqui em diante, mas nesse dia um tanto cativante, me sinto até um tanto inspirado (ou corajoso) para falar de alguém que me faz abrir um sorriso, com um simples “oi”. Em uma época em que eu sequer imaginava que isso poderia acontecer, me surpreendeu com um jeito sincero e trocas de experiências nas quais eu nem sabia que podia compartilhar.

Ela, uma universitária de 19 anos que cursa matemática (na época, primeiro ano) em São Paulo. Eu, um estudante do ensino médio, de 18 anos que tem aversão a números. Ela, possuidora de um pessimismo inabalável. Eu, lento o bastante para não perceber o que meu subconsciente (meio impaciente) emitia quase que em código Morse.

Foram poucos meses até perceber que de fato estava mais do que interessado em sua amizade. No meio de tantos desencontros e receios, aquela temerosa sensação de vulnerabilidade meio que tomou conta dos dois, ao percebermos que tudo havia tomado uma proporção tão grande, que já não era possível conter aquele tipo de coisa. E ela sabe disso melhor que ninguém, especialmente por um certo episódio no qual o desespero bateu de forma…frenética!

Hoje em dia, aquela guria de tempos atrás que me fazia rir é o motivo pelo qual eu sorrio ao ver suas fotos e torço para que o tempo corra mais rápido. Ou o motivo pelo qual alguns amigos caçoam às vezes, desacreditando e tentando, ainda que em tentativas frustradas, desviar meus pensamentos. Confesso que gostaria de ser diferente às vezes. Menos preocupado em certas ocasiões, mais sério em outras, menos curioso em várias, e em algumas ainda menos sacana ou menos tímido com ela (sim, por incrível que pareça, consigo ser as duas coisas. Azarado, não?). Confesso que gostaria de ser menos exigente comigo mesmo, e por vezes até mesmo tentar disfarçar um pouco a sinceridade, que me coloca em maus lençóis quando digo espontaneamente asneiras das mais diversas, que geralmente resultam em um rosto corado ou dúvida sobre a impressão que causo. Gostaria de mudar diversas coisas em minha vida. A idade de minha sobrinha, para que pudéssemos nos divertir sem que ela me enforque com meu próprio cordão, ou para que pudéssemos fazer aquela visitinha ao Mcdonalds. A separação de meus pais. A data de casamento de minha irmã, para que pudéssemos aproveitar um pouco mais o tempo juntos, sem as brigas triviais, agora que a maturidade entre os dois está completa. Minhas notas em Matemática e Química. Minha cara de besta, quando sou chamado a atenção em público, entre várias outras coisas. Mas de todas, há simplesmente uma que faço de tudo para amenizar, enquanto não pode ser resolvida por completo. A distância. Uma palavra tão simples que nem sequer tem uma tonalidade tão forte, mas que consegue às vezes, machucar sem aviso. Ela vem normalmente acompanhada com a Paciência, outra que me tira do sério. As duas juntas conseguem fazer um belo estrago se a pessoa não souber contorná-las. É algo no qual eu aprendi a manejar nesse tempo de namoro e hoje afirmo que não são mais nada se comparado a convicção e certeza que adquiri durante esse tempo. Afinal, não foram poucas as conversas francas que fizeram ambas as partes chegarem a mais simples conclusão: Algo tão forte veio realmente para ficar. Algo desse nível é mais forte que nós mesmos. E comentário a parte, estou muito longe de ser do tipo religioso, mas creio que algo desse nipe, tenha sido planejado minuciosamente por alguém muito além de nossas compreensões (E não, gente. Não estou me referindo a Chuck Norris). Bom, ruiva. Caso esteja lendo, saiba que esse mês será aquele que vai me tirar o sono por diversas vezes, desejando que esses dias passem logo e essa minha vontade de pega-la de jeito naquele abraço apertado seja saciada. Não sei se vai ler e gostar, mas aqui está tudo no qual qualquer pessoa que me encare nos olhos percebe.

Sem mais delongas, para aqueles que estão acostumados a palavras bonitas ou expressões de difícil compreensão, sinto muito, mas é hora de quebrar o protocolo…

“EU TE AMO PRA CARALHO, FERNANDA!”

Feliz dia dos namorados a todos.

Agradeço pela visita.

Para os invejosos (as) de plantão. Que se queimem. Sem mais palavras.

Para os fofoqueiros, por favor, não transformem isso em “notícias” corriqueiras e sem importância, dêem ao menos mais ênfase quando forem espalhar, ok?

Para os que gostam de me ver extremamente encabulado, que prato cheio, heim!

E para todos que passaram no ‘depapoproar’ nesse dia 12 de Junho, desejo um bom e sincero dia dos namorados para vocês.

Abraços,  Diego Dias.

Capítulo 1.4: 6 vidas por 1 instante.

•Março 14, 2009 • Deixe um comentário

Finalmente o último post do primeiro capítulo, após um longo tempo. Espero que gostem.

Bem acomodada, no outro lado de Nova York, as 6:45 da manhã, a prestigiada repórter do canal cinco, desperta com o quase ensurdecedor apito do despertador que sempre a faz surrá-lo como se fosse uma criança desobediente. Trinta e dois anos, reconhecida pelo mundo televisivo, na media do possível e dentro dos padrões de uma repórter, mas bem sucedida. Cabelos castanhos quase avermelhados e repicados um pouco além da altura dos ombros, olhos azuis e uma pele um pouco clara de mais para alguém que vive em Nova York e tem seções de bronzeamento disponíveis a qualquer hora que quiser. Mas talvez fossem esses pequenos detalhes que diferenciassem Susane McGarden das outras mulheres de seu nível. Enquanto outras repórteres se enlouqueciam atrás de uma mísera notícia que daria audiência, ali estava ela tomando seu suco de pêssego de forma moderada conforme dizia a dieta que estava sendo obrigada a seguir, graças a sua nutricionista psicótica, pelo menos era assim que Susane a julgava quando a mesma era impedida de desfrutar de seu delicioso bacon matinal que a fazia mais feliz do que qualquer outro presente. Por sinal era um dos poucos hábitos que ela nunca deixara nos últimos 10 anos que se passaram. Era bom ver toda aquela gordura concentrada naquele pequenino e por que não dizer, miserável pedaço de bacon repousando sobre o prato. Ou quem sabe fosse mais do que a gordura que transbordava ao mastigá-lo, quem sabe fosse uma distante e deliciosa risada que ela podia escutar por apenas dois segundos quando ela fechava os olhos e o engolia, uma risada jovem e cômica de alguém que a fazia rir por horas por causa de um simples filete de carne extraída de um suíno. A risada máscula e engraçada passava por horas em seus sonhos e em seus piores pesadelos, era como se fosse um flashback viciante e contínuo que a perseguia, que sumia por dias, às vezes por meses, mas no final sempre aparecia como se fosse um cartão de visitas, só restava saber de quem.

- Não, Jéssica! Não posso simplesmente aparecer aí em apenas meia hora, existe uma coisa chamada trânsito que você inclusive não precisa encarar por morar duas quadras antes da maldita central! – esbravejava Susane enquanto espremia o telefone entre a orelha e o ombro, tentando pegar as coisas dentro da bolsa. Batons, um pequeno estojo de maquiagem, preservativos, carteira, documentos, carteira de motorista vencida, celular e algumas jóias deslizando sobre uma foto já cheirando a mofo, dobrada no fundo da bolsa.

- Mas o que… – começava a perguntar a si mesma, pegando a foto e a desdobrando, reparando melhor nas pessoas que a compunha, um grupo de jovens borrados pelas manchas que o tempo havia deixado na foto.Alguns sorrindo, outros levantando taças, um casal abraçado, outro de mãos dadas.

- Susy? – Indagava a mulher do outro lado da linha, absorta pela falta de atenção da amiga. – Oi! Ok, ok! Estarei aí daqui a pouco, bye. – Diz Susane jogando o celular dentro da bolsa, ainda com a mente vagando pela foto que acabara de desenterrar daquele cemitério de coisas que toda mulher carrega na bolsa. Passara de leve os dedos sobre alguns rostos na esperança de deixar mais visível e identificável as pessoas do retrato. Algumas palavras ecoavam por sua cabeça tomando formas diferentes, expressões diferentes, um ar mais pesado. “É aqui que isso termina…” – Como se um puxão no estômago a trouxesse de volta a realidade, Susane fecha os olhos numa tentativa de apagar a lembrança, mas logo é tomada por um novo desespero ao olhar sua agenda que indicava os dois próximos dias como aqueles que precederiam um reencontro esperado e temido.

Em contra partida, o desespero deixa o cenário de nossa história conforme o tempo se passa, dando espaço ao sorriso meigo e contagiante do médico de 35 anos, Robert Collins, que contracena neste momento com o ar requintado e calmo de Julie Allen, sua companheira inseparável das mais diversas conversas já há uma década. Era impressionante a conexão que os dois tinham entrem si, conversavam, se admiravam, elogiavam um ao outro a ponto de despertar curiosidade de muitas das pessoas que os cercavam no dia-dia, por achar que eles tinham um caso ou coisa parecida. O término da faculdade não fora o suficiente para apagar aquela amizade que existia desde o fim do colegial ou os segredos guardados. Ele, um médico se aproximando da faixa dos quarenta, não em plena e completa forma física, mas seu ar considerado quase angelical, o fazia uma pessoa diferente de todas as outras. Nunca se casou, não tinha filhos, na verdade era raro as pessoas terem conhecimento de qualquer relacionamento que havia tido durante toda sua juventude, o que também despertava a curiosidade e a ironia de muitos. Dava conselho nas horas que mais precisavam, sempre disposto a ajudar, embora nunca tenha tido alguém que o ajudasse quando realmente precisou, a não ser, Julie. Essa, uma psicóloga com um gosto sofisticado e até mesmo o simples andar de uma musa, porém, sempre humilde. Vinda de uma família de classe alta de Ohio, nunca exibiu seu dinheiro nem suas condições sociais, seu jeito simples era quase marcante. Duas pessoas dinstintas, quase cúmplices de um crime que poucos cometem, o afeto. Enquanto Robert passava mais tempo metido em associações beneficentes, Julie se preocupava em tocar os negócios da família, que na maioria das vezes eram deixados nas mãos dos advogados. Ele, um homem já com idade e maturidade para ter uma família, apaixonado pela natureza, e vencedor de muitos preconceitos. Ela, o status social perfeito, que cobria o que havia ainda de melhor por trás do jeito refinado. Talvez se tudo não tivesse tomado outro rumo, poderiam ter acabado juntos. Talvez se Robert não tivesse tido uma época tão conturbada em que mais precisou de uma amiga para apoiá-lo do que uma mulher entre seus lençois. Ou quem sabe se Julie tivesse dito naquela virada de ano o que realmente pensava e o repudiado por não ser como as outras pessoas…

- Mas e se tivesse sido diferente? – dizia Robert tomando mais um copo de vinho, no restaurante onde os dois almoçavam com freqüência.

- Diferente como? Se for mais uma de suas charadas ou perguntas sensitivas, pode me poupar dessa vez, sou psicóloga, não sou médium. – retrucava Julie sorrindo, ainda sem olhar para Robert que brincava com o macarrão enquanto a mulher visava seu próprio reflexo na taça.

- Não seja tão rude, apenas imagine, como seria se todos tivessem seguido suas vidas aqui, como nós, se não tivessem se separado e nunca mais dado notícias.

- Prefiro não imaginar, isso vai além do meu limite psicológico, por vezes dado como duvidoso nos testes vocacionais. – ironizava a si mesmo a mulher, tomando mais um gole na taça. – Mas por insistência minha, aprovados.

- Abandone sua carapaça profissional por um instante, e analise bem as possibilidades. Pense bem, Richard, lembra dele? Depois que falei com ele na ultima vez por telefone, descobri que vive em Los Angeles, casou-se com aquela garota filha daquele homem que vendia equipamentos de pesca, os dois tem uma vida agradável, porém, não muito confortável, não tem filhos e…

- Ok, onde pretende chegar com isso tudo? Dizer que foi sua culpa, ou nossa culpa ter deixado que cada um deles seguisse seu próprio rumo?

- Não, apenas pensando diferente. Lembra de Caterine? Que casou com um famoso jogador, como era mesmo o nome dele?

- Jimmy Carter. – completava Julie não mostrando muito interesse na conversa embora ainda considerasse cada coisa dita pelo amigo.

- Exatamente. Pelo que fiquei sabendo ela não tem lá uma vida conjugal muito amável, ele é violento. Os vizinhos reclamam constantemente de brigas.

- Como ficou sabendo de tudo isso assim, tão de repente? – perguntava começando a se interessar aos poucos.

- Fiz ligações, pesquisei, procurei saber como estão levando a vida, até falei com os dois primeiros que eu mencionei há alguns meses. Afinal depois de dez anos sem contato, é preciso estar por dentro, descobrir o do que ficamos de fora todo esse tempo.

- E o que mais descobriu?

- Lembra do Look? Formou-se, escreveu alguns livros, vive aqui! Aqui em Nova York! Anos e anos morando na mesma cidade que a gente… – dizia Robert se empolgando com as próprias palavras enquanto gesticulava com as mãos ainda segurando a taça, que volta e meia derramava um pouco da bebida sobre a mesa, instigando uma risada controlada de Julie. – Creio que nem preciso mencionar que costumamos ver Susane McGarden todos os dias.

- Mas não falou com ela, senhor oráculo? – debocha Julie enquanto levanta o braço pedindo a conta para o garçom.

- Não, mas recebi um e-mail, ta certo que foi um depois de vários que eu mandei, mas ao menos disse que iria vim pra virada de ano.

- E Look?

- Também virá, depois de tanto custo me respondeu o fax, nos resta agora esperar.

- Robert, será que vale mesmo a pena reunir essa gente toda, ainda mais sabendo que alguns deles não tem mais uma relação tão íntima?

- É como você mesmo disse, isso não é minha culpa.

- Mas pode não ser muito agradável para alguns deles.

- Quem dirá se valerá à pena serão eles, não nós. – encerra Robert enquanto pagava a conta e se retirava do restaurante com Julie do seu lado. Uma cena realmente cômica a julgar pelo relacionamento que tinham.

Realidade. A palavra que assusta aos menos corajosos, ou porquê não dizer, menos insanos? Quando antecede os momentos em que mais tememos, aguardamos, ou ouvimos falar com freqüência, mas até poucos segundos antes do acontecido, não nos ligávamos. Ou quando simplesmente nos damos conta de que o mundo não é um lugar muito seguro. A realidade que às vezes nos assusta de forma desesperadora e excitante. A mesma realidade que fez essas pessoas se separarem em uma noite, deixando rastros marcantes, decepções, dentre outras coisas das quais eles jamais imaginariam que iriam encarar novamente após 10 anos. A mesma realidade que unirá essas pessoas novamente, poderá causar conseqüências irremediáveis. Pois é a mesma realidade que eles tentaram mudar, até então…

- Tem certeza de que não quer ir comigo? Será divertido. – dizia Richard enquanto se despedia de sua mulher, beijando-a na testa como sempre fizera num sinal de carinho.

- Espero realmente que valha a pena. – suspira pra si mesmo, Caterine, aguardando o ônibus rumo a Nova York, sem olhar pra trás, onde estava sua casa.

- E mais uma idiotice pra coleção, Sr. Skipper. – confessava Look aos risos, meio desnorteado, para o retrovisor do carro enquanto passava por uma das avenidas engarrafadas da cidade.

- Apenas finja que não é real, apenas finja que não foi real… – Exclamava de olhos fechados, a repórter Susane, ultima integrante de um grupo no mínimo curioso, apertando as mãos contra o volante e fechando os olhos.

Os mesmos olhos que mais tarde presenciariam o que todos aguardavam, mas certamente não acreditariam…

Não até presenciarem.

“Pregar a verdade como forma de propor alguma coisa útil à humanidade é a receita certa para ser perseguido.” (Voltaire).

Tenham um bom fim de semana.

Diego Dias

Mulheres…

•Março 9, 2009 • Deixe um comentário

Mulheres, o que dizer sobre elas? O que exatamente devemos dizer sobre esse ser marcante que dominou seu merecido espaço de forma tão ousada? NADA! Exatamente, não devemos dizer nada. Devemos nos calar nesse dia, puxar uma cadeira e pensar em todas as mulheres que compõe nossa vida. Tão frágeis e delicadas e ao mesmo tempo tão fortes e dignas de respeito como nenhum outro ser. Elas choram, brigam, lutam, vibram, vencem, comemoram, apaixonam, argumentam e conquistam. São elas que nos divertem ao vê-las roendo as unhas por um capítulo de novela, são elas que choram e se entregam à emoção de momentos marcantes, são elas que se dizem o “sexo frágil” e nos fazem acreditar errônea e inocentemente nisso, são elas as pessoas que muitas vezes não eram valorizadas como mereciam. Mas também são elas que nos surpreendem ao dizerem o que pensam sem medo de repudias, são elas que nos fazem delirar ao jogar aquele charme infalível ou aquele olhar penetrante, são elas que fazem nós homens nos entregarmos ao seu amor sem nem sequer notarmos, são elas que suportam a dor de um parto e amam seus filhos de forma tão divina. É por elas que somos capazes de fazer mil e uma loucuras, é por elas que quando pequenos, chegávamos em casa exibindo um boletim com boas notas, esperando um olhar orgulhoso. É por elas que brigávamos na escola com ciúmes, por elas que estamos sempre tentando ser os melhores. Elas que nos dão apoio pra levantar após uma queda que por sinal não seria tão difícil para as mesmas. Elas que nos dão o beijo de mãe que consola nossas feridas mais intensas, ou o beijo da amada que consegue enlouquecer os apaixonados. Confesso que não é fácil às vezes admitir tudo isso que foi dito acima, mas para aqueles que se recusam a enxergar a mulher da forma que ela merece, ao menos nesse dia, permitam-se acreditar naquilo que no fundo vocês já sabem, que a mulher é uma dádiva que foi concedida à sociedade, que deve muito a elas, por tudo que as fizeram passar para serem reconhecidas de forma devida. Deixo esse pequeno texto em homenagem a todas vocês, avós, mães, esposas, namoradas, irmãs, filhas e orgulhosamente, mulheres. E é claro, um beijo especial para duas delas; aquela que me trouxe ao mundo e para aquela que se eu pudesse, daria o mundo.

De volta ao purgatório!

•Fevereiro 5, 2009 • Deixe um comentário

Finalmente mais um ano iniciou-se emendando o fim das tão passageiras férias, contribuindo para gritinhos de “Vou rever o pessoal!” E revoltas como “Era bom de mais pra durar muito!”, mas a questão é uma só gente, as aulas voltaram. Não só a elas que me refiro, mas sim a tudo que 2009 nos aguarda; novas oportunidades para concertar erros, novos problemas, novas responsabilidades, novas mudanças e novos caminhos a serem traçados, alguns com conseqüências irrecuperáveis.

Ou será que sou o único que ainda carrego aquele frio na barriga por não saber como será o ano? Ou pelo simples fato de desejar como ele seja torcendo para que o destino colabore e eu não tenha que me esforçar muito. Para alguns o último ano da faculdade, outros o primeiro. Para uns o início de uma árdua batalha rumo ao vestibular (como eu) enquanto outros acabam de descobrir o ensino médio.

Sonhos irão ser alcançados, outros irão desmoronar para testar aqueles que tiveram fé para agüentar até o momento, para vê-los serem capazes de se reerguer, remontar, e subir até o topo cravando a bandeira da vitória e sorrindo diante de todos que não acreditaram, e é claro, acenando para aqueles que apoiaram. Não sou do tipo que crê em ciganas, muito menos em horóscopo, mas confesso que quando nos convém somos atenciosos quanto a isso. Porém, a verdade é que acredito em minhas próprias previsões e acho que todos deveriam fazer o mesmo. Sem essa história de que uma força maior rege as direções que tomamos, ou de que Deus quis assim. Deus só quer uma coisa, que sejamos felizes, e é isso que chamam de livre arbítrio, o que muitos confundem com ir pra baixo ou pra cima, é na verdade a chance de comandarmos nosso próprio destino ao invés deixar que ele nos controle.

Não sejam escravos de crenças e superstições, direcionem seus caminhos, digam o que querem e batalhem para conseguir, porque uma coisa é certa, esse ano será um ano de grandes vitórias para algumas pessoas, mas quanto maior a vitória a ser alcançada, maior a luta.

Por tanto, desejo a todos um ótimo início de aulas, mentes centradas e corpos saudáveis o suficiente para agüentarmos essas malditas viroses que andam por aí, sem é claro esquecerem de arranjar um tempo para aqueles que fazem seus corações baterem mais forte. Um grande abraço a todos e um beijo caloroso para a pessoa especial de cabelos vermelhos que me torna capaz de dizer qualquer coisa sem medo.

Aviso: Peço desculpas a todos que aguardam o próximo capítulo da história, houve um pequeno atraso mas logo estarei compensando com um mega post pra encerrar esse capítulo de apresentação, agradeço também pelos comentários e pela visita de cada um.

Abraços.

Diego Dias

Capítulo 1.3: 4 dias, poucas pílulas e 1 destino pré-definido…

•Janeiro 24, 2009 • 1 Comentário

Califórnia, ano 2009, dia 28 de Dezembro, 01:00 da manhã…


Mais um dia havia chegado ao fim na famosa cidade de Los Angeles, onde aproximadamente mais de três milhões de pessoas descansam a cabeça neste momento em seus travesseiros, sonhando com o dia que tiveram ou com aquele que almejam. Uma cidade industrializada, merecedora de todos os adjetivos que a mídia lhe impões nos últimos anos e sem dúvida nenhuma, uma das mais impressionantes metrópoles do EUA no que se refere a oportunidades de empregos. Tantas qualidades a serem ressaltadas, tantos astros e estrelas a serem fotografados e perseguidos, no entanto a única coisa que interessa para Richard O’Reily nesse instante em que só se escuta os roncos sufocantes ou as camas chacoalhando para os mais inquietos, é achar suas pílulas que na certa estariam perdidas no quarto pelo qual ele perambula com todo o cuidado para não acordar a esposa que dorme tão tranqüilamente. Era tão bom vê-la dormir, com o passar dos anos ele havia percebido que não precisava ser um desses ninfomaníacos obcecados pela idéia de ter uma mulher ao lado somente para satisfazê-lo, percebera com o tempo que passaram juntos que ela era mais do que ele esperava quando a pediu em casamento na saída da universidade alguns anos atrás. A voz que ele escutava todas as manhãs acordando-o cedinho e que ao contrário de qualquer outra pessoa não o deixava irritado por estar sendo despertado, era dela. O aroma de flores de diversas cores que às vezes ficavam pela sala, pela cozinha e por quase todos os cômodos da casa, vinham de quando ela carregava vários cestos repletos de orquídeas, levando-as para o orquidário improvisado que Richard fizera especialmente para ela se distrair. Dez anos haviam passado rápido para o homem quase calvo de rosto e corpulência arredondada. As pílulas agora encontradas por ele em cima do armarinho do banheiro pareciam gritar para ele que os dez anos que se passaram foram sem dúvida nenhuma os melhores de sua vida, que ele não deveria se arrepender nem sequer por um instante de tudo que fez até aquele momento, que jamais deveria olhar para trás e deixar uma lágrima escorrer por qualquer coisa que deixara de fazer ao longo desse tempo. Ele tinha o que todo homem deseja e poucos conseguem, tinha o amor de uma mulher com a qual ele se apaixonava cada vez mais a cada dia que passava, com a qual ele se preocupava, se dedicava e se doava de corpo e alma para sua felicidade. Sua vida profissional não era das melhores, tinha conseguido comprar um apartamento um pouco apertado no centro da cidade três anos após o casamento, se mudara de lá quatro anos depois que fora promovido a editor de um pequeno jornal inaugurado poucos anos atrás, de pequenina repercussão, mas sem dúvida nenhuma uma alta bonificação. Infelizmente não havia durado muito seu reinado, após alguns meses foi demitido por não concordar com algumas regras de edição impostas pelos superiores que não pestanejaram em fazê-lo sair de lá com uma mão na frente e outra acenando para pedir um táxi. Mas não custou a arranjar outro emprego em uma revista de baixo nível se comparada ao jornal, porém, precisava do dinheiro e não seria idiota a ponto de negligenciar outra oportunidade de emprego. Agradável não seria a palavra certa para descrever seu novo ambiente de trabalho, rentável talvez, de certa forma era suficiente para economizar durante mais alguns anos e vender o apartamento sufocante mudando-se para uma área menos popularizada da cidade e mais saudável longe de nuvens negras de fumaças ou pessoas gritando embaixo de seu prédio, querendo saber quem gostaria de comprar salgadinhos. Estava longe de ser uma casa luxuosa, longe também de ser aquilo que dissera uma vez no colegial, que gostaria de alcançar quando terminasse a faculdade. Mas seria a maior mentira do mundo afirmar pra si próprio que não estava feliz com tudo aquilo, que não se enchia de orgulho ao lembrar do “Sim” escutado por ele no altar, ou que não suspirava de tranqüilidade ao ver sua esposa chegando bem do serviço na HCLA.

As pílulas desciam pela garganta junto com a água morna enquanto ele respirava aliviado por tê-las achado, sem elas realmente ele não se sentiria tão bem quanto naquele momento. Elas o acalmavam, o deixavam refletir melhor sobre as escolhas que ainda teria que fazer, embora ainda preocupasse o fato de que elas estavam se esgotando, mas isso pouco importava agora que faltavam apenas poucos dias para rever todo um passado e sorrir novamente ao lado daqueles que pôde dizer um dia que amava como irmãos. Já eram quase duas horas da manhã quando ele se deitou e olhou no rádio-relógio que marcava dia 8. Poucos dias, muitos sorrisos, algumas preocupações… Entre tantas coisas que estavam por vir e tudo que havia passado, só havia uma coisa que gostaria de fazer agora… Dormir.


Nota:  HCLA = House of Charities of Los angeles  ou Casa de caridade de Los angeles… como preferirem.

Abraços!

Diego Dias

Capítulo 1.2: 5 dias, 1 aniversário, nenhum presente…

•Janeiro 22, 2009 • 5 Comentários

Continuando o primeiro capítulo, mais um personagem para conhecerem aos poucos…

Abraços!

Diego Dias

Uma madrugada como qualquer outra é vivida em Nova York, no edifício Adam Sullivan, próximo ao Central Park, no 14º andar, mais precisamente no apartamento nº 1020, onde o rapaz de pele clara e cabelos pretos contrastantes, repousando sobre uma confortável cama tenta assimilar seu passado e digerir os problemas diários enquanto encara o teto com os olhos vidrados na textura que mandara fazer a pouco tempo em seu quarto. Ela o incomodava um pouco, era azul de mais para o tom suave feito neve que regia as paredes do quarto, e não o agradava tanto como pensava que o agradaria dois dias atrás quando mandou que ela fosse feita, mas o que seria isso diante de um apartamento sofisticado como o de Look Skipper? 31 anos, formado em direito em Nova York, requisitado até por altos profissionais do ramo e um exímio escritor. Um carro moderno na garagem, um apartamento refinado em um dos bairros de classe média-alta de Nova York e uma vida profissional decolando cada vez mais parecia não ser suficiente para ele, como alguns costumam dizer,  sempre arranjamos defeitos, ainda que não exista nenhum. A janela estava aberta, por ela entrava uma suave brisa de início de inverno que arrepiava até o último cabelo da nuca daqueles dois deitados sobre a cama, nus por debaixo dos lençóis. A grande diferença era que ele permanecia acordado contemplando o teto do quarto com as mãos atrás da cabeça, enquanto a mulher de corpo esbelto e pele suave dormia feito um anjo, seu rosto exibia uma quase pureza se não fosse pelas marcas nos pescoço e pelo sorriso sacana que permanecia em seus lábios mesmo após ter caído no sono. Provavelmente seria mais uma noite como todas as outras que se passaram até ali repetitivamente nos últimos 10 anos. Mas ela era tão perfeita, como podia não se interessar por ela? Como podia não sentir nada que não fosse luxúria diante daquelas curvas tão atraentes ou daquele sorriso maldoso e um olhar que implorava por calor humano? Simplesmente não podia. Fora assim durante todos esses anos, várias mulheres, carros, livros sendo publicados, pessoas dizendo que ele sabia aproveitar a vida como ninguém, pessoas lhe bajulando, pessoas lhe pedindo dinheiro emprestado, pessoas o invejando pela vida que ele levava. Sua vida era repleta de pessoas, repleta de coisas com as quais costumamos sonhar no dia-dia, e, no entanto seu maior sonho ainda era um fantasma morto há 10 anos, um fantasma que viveu até o dia 31 de dezembro de 2000, que ainda o atormentava nas noites em que dormia sozinho ou nas noites em que acordava suado com alguma mulher ao lado, consolando-o como uma criança perdida. Se ele fechasse os olhos por um instante apenas, poderia escutar claramente o barulho das taças de champagne se chocando leve e propositalmente naquele último dia em que estiveram juntos. Várias pessoas jurando sobre um mesmo piso, sob um mesmo céu; que se veriam novamente em no máximo uma década. “Besteira, na certa metade deles já devem estar mortos… Mas onde diabos eu deixei a garrafa de Vodka?!” – Pensava Look enquanto revirava o pequeno bar integrado a parede da sala de visitas. Volta e meia olhava no relógio preso ao pulso esquerdo que fora uma das poucas partes que ainda estavam cobertas em seu corpo após ter se levantado da cama. A sensação de estar ficando mais velho era estranha, mas mais estranha ainda era a sensação de estar fazendo aniversário e não ter ninguém pra gritar em seus ouvidos. Ser elogiado por revistas masculinas, procurado por pessoas mais velhas que diziam a ele que haviam lido um de seus livros, ou ser atacado por mulheres da alta sociedade era realmente muito bom, mas será que não devia ter algo mais? Ao menos essa era a pergunta que se passava por sua cabeça enquanto tomava aquele copo de vodka e analisava a foto sobre uma mesa de centro. Uma foto tirada 10 anos atrás onde um rapaz magro, de cabelos curtos e pretos, de olhar expressivo e sorriso bobo se divertindo com os amigos ao lado de uma garota que aparentemente não se importava muito se agradaria ou não jogando champagne em sua camisa social. Outro gole do 6º copo de vodka é o suficiente para deixar o porta-retratos virado pra baixo e caminhar de volta para a cama onde esteve há poucos minutos e onde se esquentava com o corpo daquela bela mulher que conhecera poucas horas atrás. Definitivamente, era a vida perfeita, pelo menos deveria ser…

Capítulo 1.1: 10 anos, 6 almas, poucos dias…

•Janeiro 21, 2009 • 2 Comentários

Como prometido, começarei postando de uma vez (sim, culpa da ansiedade) a primeira parte do primeiro capítulo deste pequeno ‘book’.  Alguns irão estranhar a falta de um título principal, mas isso realmente prefiro decidir com o tempo. Espero que gostem dessa primeira parte que irá mostrar um pouco de cada personagem                                               Diego Dias

Não tinha uma noção clara até aquele momento do que estava acontecendo, só sabia que não era a hora certa para dizer ao marido que o traíra na noite passada, não agora enquanto Jimmy era carregado numa maca em direção à mesa de operações. O corte havia sido profundo, não precisava ser um cirurgião de primeira pra saber que obviamente aquela perna que um dia pertencera ao maior marcador da liga nacional de futebol americano teria que ser amputada as pressas para quem sabe evitar uma agravação ainda maior. Durante 10 anos Caterine Aguilar ocultou de Jimmy Carter a infelicidade que sentia por não ter conseguido seguir com sua carreira de atriz. Ela era bela, formosa, seios fartos e quadril largo. Seus cabelos quase dourados meio que escorriam pelas costas até a altura da cintura, talvez por isso tenha sido chamada de sereia de Dakota (onde nasceu) pela conceituada revista “Woman” em uma das vezes em que a fotografaram com Jimmy em um restaurante do bairro. O perfeito objeto sexual que qualquer homem desejaria em 10 anos não passou de uma fracassada professora de artes, normalmente enquanto assistia seu marido pela ESPN imaginava como teria sido a vida das outras pessoas que tiveram com ela naquela última noite de 2000 enquanto levantavam taças de champagne e prometiam se unir depois de uma década, para contar seus fracassos, suas vitórias, seus objetivos alcançados e tudo mais que um grupo como eles tinha direito. Mas por que diabos ela tinha que pensar nisso agora? Agora que seu marido estava preste a perder uma perna e encerrar a carreira com apenas 34 anos de idade. Era até irônico o fato de que agora quem trocaria de lugar com ela ou ao menos se juntaria à vida de fracassado seria ele. Sim, irônico, mas de maneira nenhuma engraçado, não podia ser engraçado, afinal ele estava gemendo de dor naquela maca a caminho de uma sala de operações, ela não tinha o direito de achar isso engraçado, seria pecado? Ela preferia achar que era apenas estresse, claro, nenhuma mulher conseguiria ficar calma naquela situação, mas e se não fosse? E se fosse realmente a hora de contar a ele que na noite passada ela havia ido pra cama com o irmão de Jimmy que era o oposto do marido grosseiro que ela havia arranjado após deixar a faculdade 10 anos atrás? E se fosse a hora de dizer a ele que os 10 anos que se passaram foram os piores de sua vida, que eles não deveriam sequer ter se conhecido por intermédio de seu irmão, que eles não combinavam em nada, que não tinham nada em comum, que de maneira alguma foram feitos um pro outro, que ela odiava aquela enorme soberba que ele possuía e aquele cheiro de perfume barato que ele exalava, que ela odiava ter que sustentar a imagem de uma esposa perfeita para os jornalistas por causa de um homem que mal a notara como mulher nos últimos 3 anos de casamento, que ela odiava a forma com que ele a tratava perto dos amigos ou o modo como se referia a ela quando estavam em algum jantar em família, que ela havia se casado por necessidade e não por vontade, por não suportar a idéia de prolongar financeiramente dizendo, a miserável vida que havia tido até a faculdade? Contaria que o sexo dos dois era tão desanimado quanto ter que assistir seus jogos aos domingos? Que as vezes em que ele virava pro lado para dormir ela o imaginava queimando em uma fogueira e pedindo misericórdia ou que as vezes em que ele chegou tarde em casa com marcas de batom na gola da camisa esportiva e arranhões no pescoço ela se controlara ao maximo para não esfaqueá-lo durante o sono, contaria que o sentimento que havia sobrado entre os dois era apenas medo, medo por apanhar quando ele bebia ou ter que aturar seus gritos que acordavam todos do prédio no requintado bairro em Jacksonville? Não, ela não contaria, não agora…

- Srª. Carter? – Repetia pela terceira vez já impaciente o enfermeiro auxiliar do centro médico enquanto esperava Caterine reagir ou ao menos piscar os olhos. Estava totalmente absorta em pensamentos. – Senhorita Carter?!

- Sim? Ah, perdão. – dizia ela enquanto pegava a prancheta com formulários de protocolo a serem preenchidos. Nem a maldita burocracia de hospitais que a deixava louca conseguia fazer deixá-la de pensar em tudo que estava ocorrendo. “Deus, dez anos, como eu pude agüentar toda essa merda?”.– Pensava a professora de artes enquanto assinava o nome em uma das linhas ao lado do nome Jimmy Troyan Carter. Se isso fosse um filme certamente enquanto seus dedos faziam a caneta dançar pelas linhas dos documentos o enfermeiro perceberia o hematoma na mão direita de Caterine e daria uma de herói aconselhando-a, consolando-a e acabando com o vilão da história, embora esse já estava praticamente acabado sem uma das pernas. Caterine sentia algo queimando dentro do peito, observava com uma atenção quase espantada o calendário posto próximo ao saguão de entrada.

- Hoje é dia 26, certo? – Pergunta com os olhos lacrimejando pelos pensamentos anteriores, mas com a mente voltada agora inteiramente para o calendário, desbotado e pendurado na parede.

- Sim. – Responde o enfermeiro recolhendo os papéis já assinados e levando-os até o balcão. – Faltam só 6 dias para o novo ano, graças a Deus esse ano passou mais rápido do que eu esperava, tomara que o próximo seja assim. – retruca o rapaz desanimado. – Deve ta sendo difícil isso tudo acontecendo um dia só depois do natal.

- É… – Suspira Caterine olhando mais uma vez o calendário enquanto fecha os olhos e imagina os próximos 6 dias que antecederiam um esperado, porém, inexplicável encontro.

Retornando…

•Janeiro 20, 2009 • 1 Comentário

Bom, a princípio não tenho tantas coisas a dizer e ao mesmo tempo várias. Talvez por ser meu primeiro post após ter reaberto o blog e voltado às origens. Talvez seja pelo fato de que desacostumei a expor minhas opiniões e trabalhos para todos, ou se não, por simples empolgação. Meu nome é Diego Dias, tenho 17 anos, moro em uma cidadezinha praiana do ES, não sei meu tipo sanguíneo, não lembro sequer meu número de telefone sem ter que olhar na agenda do aparelho. Tenho um grande sonho de quem sabe um dia me tornar um escritor, geralmente é nessas horas que aparece alguém pra perguntar se pretendo ser sustentado a vida toda por meu pai, ou se eu não deveria por os pés no chão. Bom, infelizmente (para essas pessoas) só tenho a dizer que meus pés sempre se mantiveram no chão, mas minha mente, essa sim vaga por todos os lugares que for possível estar, ela é onipresente, ela é desafiadora, ela é meu refúgio…

Mas é claro, não tenho só essa meta na minha vida, pretendo cursar direito quando sair do colegial, embora eu saiba melhor que ninguém que até o final do ano minhas preferências relacionadas à faculdade podem mudar, tenho planos para o futuro, me vejo às vezes engravatado e com o cabelo penteadinho, me vejo às vezes com um jaleco branco olhando para uma mesa de cirurgias, confesso que já me surpreendi imaginando como eu ficaria até mesmo como ator, cantor, e diversas coisas das quais eu nem tenho talento. Outras vezes ainda me vejo com o velho cordãozinho de madeira sentado la no final da praia onde costumo ir pra raciocinar um pouco, quando isso se torna impossível dentro de casa. Isso realmente me assusta um pouco. É mal do ser humano, planejar, arquitetar idéias sem ao menos saber se vai poder concretizá-las. Mas acho realmente que a graça de toda a situação é essa, imagine como seria opaco nosso ambiente se não almejássemos nada? Se ficássemos o tempo todo à espera de algo que a vida tenha pra nos dar, não se pode aguardar as oportunidades caírem do céu, até porque algumas só batem uma vez na nossa porta, aprendi isso recentemente, e por acreditar, crer e de certa forma ir a luta, pude constatar o quão grandiosa ela é…

O tempo é curto para dizermos a elas se podem entrar ou que voltem mais tarde. Tenho planos para mim, para outra pessoa também… Como diria alguém que não me recordo o nome, “vamos deixar que as coisas aconteçam, uma de cada vez, passo após passo, não deixando nunca de pensar no futuro, mas sem roubá-lo antes da hora…”, caso não apareça ninguém para dizer quem foi o autor da frase, juro que vou acabar patenteando-a.

Bom, nesse blog assim como no meu antigo, postarei alguns textos de minha autoria entre outras coisas, mas, principalmente uma nova historia que tenho construído aos poucos, nada de grandioso, mas significante pra mim, e espero que futuramente seja agradável para todos que puderem lê-la aqui.

Um grande abraço a todos!

Diego Dias

”Sou um crente, pois creio firmemente na descrença. …Creio que a terra é chata. Procuro não sê-lo. …Tudo o que não sei sempre ignorei sozinho. Nunca ninguém me ensinou a pensar, a escrever ou a desenhar, coisa que se percebe facilmente, examinando qualquer dos meus trabalhos.” – (Millôr Fernandes)