Odeio pensar em títulos para isso.

O mundo parece estar caminhando dia após dia para um abismo sem volta. Guerras, aberrações, discuções sem sentido em pró de um falso bem para a sociedade entre outras coisas que já estamos começando a nos acostumar sem o antes crítico olhar politicamente correto. O engraçado é perceber que diante de tudo isso ainda temos tempo para vivermos separadamente. Sem guerras nem conflitos internacionais, mas enfrentando as mais diversas adversidades com nós mesmos.

Sem ninguém. Sozinhos de frente ao espelho. É aí que nossa ficha cai.

Ou deveria dizer, nossa máscara? É isso o que usamos no dia-dia. É nisso que muitas vezes até acreditamos por uma suposta obrigação. Não adianta negar, você sabe, eu sei, e cada ser humano nesse planeta sabe, que temos nossas próprias máscaras e que querendo ou não, elas são úteis. Na verdade são até necessárias, mas nunca eternas.

Um bom dia no trabalho mesmo quando está de mal humor, um obrigado para a garçonete que acordou com o mesmo mal humor e lhe serviu um sanduíche frio, mas que por simples educação você prefiriu ignorar ou até mesmo o doce que você teve que dar para a criança que estava ao seu lado e cobiçou tanto que lhe fez sentir culpa, mesmo sabendo que a mesma não existiu por motivo algum. Eu tenho, você tem, todos nós temos essas máscaras diárias. O problema é quando ela cai. É aí que pode morar o perigo para quem não aprende a administrar tal ocorrido ou a chave para um mundo completamente novo para quem consegue viver sem seu disfarce. Quer um modo de compreender? Analise bem a seguinte situação:

Você acaba de ter um dia duro no trabalho ou no colégio ou seja lá qual for sua rotina, passou por coisas que você odeia mas como fazem parte do cotidiano nem te afetam tanto da mesma maneira de antes, talvez por ter se acomodado. Quando isso termina no fim do dia você corre para casa na ânsia de poder relaxar e é recebido com contas, obrigações e afazeres da casa o que não diminui sua paciência, afinal você pensa “Ah, todo mundo passa por isso…”. Depois, resolve ligar para a pessoa que você costuma dizer que ama, saber como foi o dia, ou qualquer outro assunto que vocês costumam discutir. Após alguns minutos vocês brigam, você desliga, olha para relógio e viu que ja quase todo seu dia e em nenhum momento dele você recebeu alguma retribuição gratificante pelo esforço que você executa sempre. Então você deita, ajeita o travesseiro, liga o ventilador na sua direção ou se cobre com um confortável cobertor dependendo do clima onde mora. Antes de dormir você pensa que talvez algo poderia ter sido melhor. Talvez se a máscara tivesse escorregado quando o chefe lhe disse que não era capacitado para o que estava fazendo. Talvez tivesse que ter deixado-a cair quando escutou aquele “eu te amo” e preferiu tirar qualquer possibilidade de algum relacionamento. Talvez devesse ter chutado a máscara para bem longe e ter dito aquele “eu te amo” sincero e soltado um belo “dane-se” para todo o resto que fosse contra isso. Ou talvez devesse simplesmente ter arrancado sua máscara e deixado as lágrimas rolarem quando soube da morte daquela pessoa que você conhecia tão bem.

Então você se levanta, acende a luz e repara que só há você no quarto, mais ninguém, apenas um espelho que reflete sua real imagem de volta para você. O que você faz? Chora o que não pôde por ter que ostentar a imagem de uma pessoa durona ou pouco maleável? Diz um “foda-se!” bem dito para seu patrão? Diz um “Eu te amo!” bem forte e alto para que a pessoa que devesse ouvir escute ainda que bem longe? Você simplesmente sorri por saber que aquele é você, bem mais belo e real do que você é no decorrer do dia? Você grita com raiva para que “ele” ou “ela” percebam algo mais entre vocês?

Diante de tantas possibilidades que dependem da personalidade de cada um de nós, e de seus dilemas, ainda fazemos a mesma pergunta para o espelho: Quem é voce?

É um interesse mascisso que temos em descobrir quem somos de verdade e porque ao longo do tempo deixamos que algumas farsas encobrissem isso. Não estou dizendo que não seja necessário um pouco de educação, ou paciência ou ainda sim uma pessoa mais robusta para aguentar certas situações. Mas caro leitor, querendo ou não, todos temos nossos “demônios” interiores. Aquele nosso lado que parece errado e duvidoso aos nossos olhos, e que cosciente ou incoscientemente tentamos abafar a todo custo.  Não sabemos o nome deles, não sabemos o porque eles existem, e não temos a menor noção de como dominá-los, mas sabemos que eles fazem parte de nós. Eles somos nós.

Nossos desejos reais, nossos talentos enrustidos, nossos medos, nossas admirações, nossos amores mais fortes e sinceros. Tudo isso completa esse lado estranho e invertido que muitos de nós temos dificuldade de admitir e repudiamos como algo indevido, por conta da nossa já conhecida máscara que às vezes existe mesmo apenas para nos proteger da realidade que nos assusta.

E você? Já tirou a sua? Não pense que vou dizer algo como “Então o que está esperando? Tire logo!” porque jamais direi isso. Sei como ela é confortável e te ajuda a resolver os problemas que você só consegue devido a sua dependência com ela. Eu sei disso. Eu sei porque sou assim. Sei porque eu era. A minha caiu como a de vários que sucumbiram após essa queda. Quando digo sucumbiram me refiro ao sentido mais bizzarro da palavra. Pessoas que não conseguiram lidar com isso e afastaram as melhores coisas que poderiam lhe acontecer. Dinheiro, família, amor verdadeiro, sucesso profissional, reconhecimento, paz consigo mesmo. Coisas que todo ser humano almeja. Acho que o motivo de não ter sucumbido ainda deve-se ao fato de que não estou tentando dominá-lo quando o olho refletido no espelho. Não estou buscando alternativas apelativas ou alguma coisa que me faça substituir a antiga máscara. Estou olhando bem nos olhos e perguntando “Por que?”. Então ele zomba de mim, com o mesmo sorriso que eu tenho, ri debochadamente como se eu tivesse optado pela pergunta mais idiota. E eu reformulo dizendo “Por que justo agora?”. Então ele para a risada, me olha do mesmo jeito que o olhei há poucos segundos e me diz quase num misto de raiva e pena: “Porque você já me prendeu por muito tempo.” E finalmente eu percebo do jeito mais estranho que a maldita máscara não escorregou por acidente. Percebo que eu não caí para que ela se quebrasse em mil pedaços no chão.  Percebo que eu mesmo a tirei, com minhas próprias mãos. Com as próprias mãos e sem ter a mínima noção do que poderia enfrentar eu a arranque e joguei longe. Percebo também que meu reflexo no espelho que antes me abordava como algo vivo passa a ser agora apenas uma imagem refletida dos meus movimentos. Eu sei que ele não se foi, ele ainda está alí. Ainda está aqui comigo. Apenas decidiu que uma pergunta bastaria para esse encontro inusitado e viu que eu já obtive a resposta para ela.

Você leitor(a)  jamais saberá o que estou passando se não for alguém envolvido(a) diretamente com isso. E eu prefiro não saber e não me importar com o que você passa para respeitar a individualidade de ambos. Mas como atual sobrevivente nesse despertar, creio que possa dizer algo direto para você. Se ainda não tirou sua máscara, não tire, continue assim. Se já tirou e está tendo dificuldades de admitir e tentar juntar os pedaços dela sobre o chão, sinto lhe dizer mas é tarde. Não tente dominar o que você viu no espelho, nem enterrá-lo para que ele não faça o mesmo com você. Apenas admita que querendo ou não, nessa história toda você é o cavalo e ele o cavaleiro. Ambos indomáveis. Não estão de lados opostos, estão juntos, numa corrida que iniciará apartir do momento em que perceber isso. Eu iniciei a minha, passando pelos mais diversos obstáculos, mas continuo nela.

Quando iniciar sua corrida, lhe desejo boa sorte e lembre-se de que podemos até nos esconder de tudo, mas o futuro quando nos acha, pode ser o mais macabro dos vilões ou o maior sobrevivente dos heróis.

Um grande… aperto de mãos!

sabe como é, precisamos inovar um pouco.

Diego Dias

Publicado em: às março 24, 2010 em 5:13 am  Deixe um comentário  

Bom dia, Domingo!

Creio que o ultimamente o tempo que eu tenho livre para o blog tenha aumentado, embora ainda sim eu continue desleixado como sempre. Mas convenhamos, até que ando ligeiro se comparado a última vez que me distanciei de tudo isso aqui. As situações também não facilitam muito meu ânimo para postar, afinal, quem me conhece sabe que qualquer acontecimento pode mudar de forma brusca minha escrita ou o que tento passar quando escrevo. Dessa vez creio que não seja diferente. Muitas são as coisas que andam acontecendo numa velocidade medonha, sem que eu tenha muitas oportunidades de assimilar. Sim, é uma verdadeira corrida no escuro, cujos passos errados podem resultar em fortes quedas, e só lhe resta apostar no instinto, na sorte, no destino ou seja la como vocês chamam aquilo que os ajudam a caminhar de olhos vendados. Eu particulamente, não dou nome, eu apenas confio, e torço calado para que as coisas dêem certo.

Quando criei esse blog no ano passado, meu principal objetivo era postar sobre temas do cotidiano e projetos que eu sabia que provavelmente não teriam continuação, mas que seria importante ter comigo a opinião de pessoas que são e ao mesmo tempo não são tão envolvidas com a leitura. Mas às vezes as ocasiões mudam nossas rotas, meio que nos desviam do objetivo principal e nos levam a fazer certas abordagens que nem são do interesse público. Mas acho que no fundo isso é natural do ser humano. O egocentrismo, se é que posso chamar assim, faz parte do nosso cotidiano e é de certa forma saudável quando não em excesso.

Sinceramente, não sei ao certo se sou uma pessoa egocêntrica. Sei lá. Não tenho a necessidade de falar de mim mesmo, mas sinto que de vez em quando sufoco por não ter com quem confessar meus erros diários sem passar uma impressão errada, ou apenas mostrar o quão danificado eu me torno com certas coisas que a primeira vista passam despercebidas. Na verdade até tenho, Deus (sim, eu acredito e confio nele, embora eu não seja um bom exemplo a ser seguido no quesito fé), e talvez a pessoa que faz meu coração bater mais forte, mas pra essa evito mostrar meus piores defeitos embora ela ja os conheça, prefiro aproveitar a dormência que ela os causa, deixando-os desmaiados e consequentemente desfrutar das minhas poucas qualidades que aguçam quando nos falamos.

Acho que deve estar se perguntando onde quero chegar com tudo isso. A resposta é simples e ao mesmo tempo sem muito sentido, para você, claro: Nenhum lugar.

Apenas imagino o blog como um livro. Um livro particular, daqueles que você não tem nenhuma obrigação de ler, mas que quando percebe a crosta de poeira se formando, logo começa a limpá-lo, a folheá-lo sem muito interesse, e antes que perceba já está lendo. No meu caso, escrevendo mesmo.

Acho que tudo tem um motivo para iniciar. O disparo de uma arma precisa ser engatilhado, precisa sentir o desejo de acertar o alvo passando por entre seus dedos e concentrar-se no projétil. Uma ponte que desaba precisa ter sofrido as consequências do tempo e do peso excessivo sobre ela. O carro que para no meio da avenida em pleno trânsito da cidade grande, precisa ter seu combustível esvaído. A vontade de escrever no blog ou em qualquer projeto literário não é diferente. É preciso além de gostar da escrita, sentir que precisa escrever. Precisa sentir que seu peito não é o suficiente para armazenar esse turbilhão de emoções, que sua mente não é tão forte para suportar seu conflito de opiniões. Em outras palavras, é preciso ser fraco e forte. Fraco para necessitar expressar e organizar seus pensamentos e sentimentos fora da sua mente, e forte para conseguir tal feito sem ajuda, pois não é nada fácil.

É estranho, admito, mas só escrevo bem quando algo me afeta. Preciso estar mergulhado em uma angústia particular que ninguém nota, só se me conhecer muito bem. Ou preciso estar em um mar de felicidades que até quem não me conhece percebe.  Não sei se isso é um defeito ou uma qualidade mas prefiro nem saber, talvez seja essa a chave para um futuro sucesso, quem sabe?

Confesso que há um motivo em especial que me atiça a escrever, não especificamente aqui no blog, mas no projeto que ando trabalhando. Acho que a palavra certa nem seria escrever, e sim pensar. Sou o tipo de pessoa que não presta, admito. Deixo as coisas banais chamarem minha atenção e arrancarem minhas risadas. Piadas de humor negro, sensacionalismo barato, ilusões de um país melhor, entre outras. Faço comentários fora de hora, piadas com quase tudo, tenho sempre um pé atrás com as pessoas, sou pessimista, ao mesmo tempo sou persistente, sou tão confiante que na maioria das vezes acabo sendo inseguro, arrisco até o fim, aposto, caio, levanto,  superestimo os que admiro, subestimo os que desprezo, troco essa mesma regra várias e várias vezes, mudo raramente de opinião, abro raras exceções para quase tudo, sou preguiçoso e não acredito muito em altruísmo, embora seja importante continuar tentando acreditar. Mas o mais impressionante é ver como sou quando estou com uma pessoa. Me sinto melhor mesmo sabendo que posso realmente não ser. Me sinto bem, como se tivesse onde me apoiar quando estiver prestes a cair, ainda que eu me esforce contra isso. Me sinto calmo e estranhamente inquieto, meu coração acelera quando a vejo, meu sorriso fica trêmulo, perco a segurança, como se estivesse tão vulnerável como eu nunca fui.

Eu odeio isso. É verdade. Odeio ser vulnerável a isso. Odeio não poder dizer que é só mais uma. Odeio perceber que se um dia disser que não me ama mais, um pedaço de mim vai embora e a ferida será dolorosa, e nem mil e uma tentativas irão fechá-la. Odeio saber que algo assim me alcançou antes que eu pudesse adquirir conhecimento de como combater. Odeio não combater. Odeio ter tentado combater sem sucesso. E odeio ainda mais não querer mais combater.

É tão difícil explicar. E o pior, é tão fácil sentir. Sentir o rosto corar quando me elogia, ou ver ela mordendo os lábios, encabulada. É tão ruim pensar que nunca ficaremos juntos. E é ao mesmo tempo tão bom cogitar que ainda podemos acabar juntos, olhando pra trás e agradecendo por ter terminado dessa forma. Só Deus sabe como eu torço, oro, vibro ao imaginar e aguardar um final feliz onde nosso beijo sela esse filme conturbado. Acho que na verdade ele não deve mais aguentar me ouvir falar, reclamar e pedir isso.

“Cara, arranja algo pra fazer e deixa que eu cuido disso, fica frio.” – ele deve dizer.

E não está errado, embora meus pensamentos não se desviem de forma fácil. A cada bom dia, a cada boa noite, a cada vez que tocamos nesse nosso dilema (sim, não é mais uma coisa que possamos cuidar de forma individual, é um problema em dois, dois em um. Um só.). Gosto de imaginar às vezes que isso tudo faz parte de um tratamento com algum psiquiatra que me fez afundar em um daqueles “comas” que vemos na tv, e eu simplesmente preciso achar a saída, mas quando vejo que a única saída é levando-a comigo e deixando tudo pra trás numa louca e mirabolante explosão de acontecimentos, vejo que é a vida real. É mais profundo. É mais forte. É um desafio? Um teste para ver se aguento esperar? Não sei, só sei que adoro desafios. E sei que a amo. Isso basta.

Bom, é melhor eu parar por aqui, meu sono e o seu que tem a coragem de ler os posts ja devem estar em sincronia, o que indica que é hora de me despedir. Não sei direito quando será o próximo post e muito menos qual será, mas em breve pretendo postar algum dos projetos aqui novamente. Foi bom poder reanimar o blog e tirar as teias com as mãos.

Que venha o próximo post. E que não demore!

Abraços!

Diego Dias

Publicado em: às março 14, 2010 em 7:10 am  Deixe um comentário  
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