Bom dia, Domingo!

Creio que o ultimamente o tempo que eu tenho livre para o blog tenha aumentado, embora ainda sim eu continue desleixado como sempre. Mas convenhamos, até que ando ligeiro se comparado a última vez que me distanciei de tudo isso aqui. As situações também não facilitam muito meu ânimo para postar, afinal, quem me conhece sabe que qualquer acontecimento pode mudar de forma brusca minha escrita ou o que tento passar quando escrevo. Dessa vez creio que não seja diferente. Muitas são as coisas que andam acontecendo numa velocidade medonha, sem que eu tenha muitas oportunidades de assimilar. Sim, é uma verdadeira corrida no escuro, cujos passos errados podem resultar em fortes quedas, e só lhe resta apostar no instinto, na sorte, no destino ou seja la como vocês chamam aquilo que os ajudam a caminhar de olhos vendados. Eu particulamente, não dou nome, eu apenas confio, e torço calado para que as coisas dêem certo.

Quando criei esse blog no ano passado, meu principal objetivo era postar sobre temas do cotidiano e projetos que eu sabia que provavelmente não teriam continuação, mas que seria importante ter comigo a opinião de pessoas que são e ao mesmo tempo não são tão envolvidas com a leitura. Mas às vezes as ocasiões mudam nossas rotas, meio que nos desviam do objetivo principal e nos levam a fazer certas abordagens que nem são do interesse público. Mas acho que no fundo isso é natural do ser humano. O egocentrismo, se é que posso chamar assim, faz parte do nosso cotidiano e é de certa forma saudável quando não em excesso.

Sinceramente, não sei ao certo se sou uma pessoa egocêntrica. Sei lá. Não tenho a necessidade de falar de mim mesmo, mas sinto que de vez em quando sufoco por não ter com quem confessar meus erros diários sem passar uma impressão errada, ou apenas mostrar o quão danificado eu me torno com certas coisas que a primeira vista passam despercebidas. Na verdade até tenho, Deus (sim, eu acredito e confio nele, embora eu não seja um bom exemplo a ser seguido no quesito fé), e talvez a pessoa que faz meu coração bater mais forte, mas pra essa evito mostrar meus piores defeitos embora ela ja os conheça, prefiro aproveitar a dormência que ela os causa, deixando-os desmaiados e consequentemente desfrutar das minhas poucas qualidades que aguçam quando nos falamos.

Acho que deve estar se perguntando onde quero chegar com tudo isso. A resposta é simples e ao mesmo tempo sem muito sentido, para você, claro: Nenhum lugar.

Apenas imagino o blog como um livro. Um livro particular, daqueles que você não tem nenhuma obrigação de ler, mas que quando percebe a crosta de poeira se formando, logo começa a limpá-lo, a folheá-lo sem muito interesse, e antes que perceba já está lendo. No meu caso, escrevendo mesmo.

Acho que tudo tem um motivo para iniciar. O disparo de uma arma precisa ser engatilhado, precisa sentir o desejo de acertar o alvo passando por entre seus dedos e concentrar-se no projétil. Uma ponte que desaba precisa ter sofrido as consequências do tempo e do peso excessivo sobre ela. O carro que para no meio da avenida em pleno trânsito da cidade grande, precisa ter seu combustível esvaído. A vontade de escrever no blog ou em qualquer projeto literário não é diferente. É preciso além de gostar da escrita, sentir que precisa escrever. Precisa sentir que seu peito não é o suficiente para armazenar esse turbilhão de emoções, que sua mente não é tão forte para suportar seu conflito de opiniões. Em outras palavras, é preciso ser fraco e forte. Fraco para necessitar expressar e organizar seus pensamentos e sentimentos fora da sua mente, e forte para conseguir tal feito sem ajuda, pois não é nada fácil.

É estranho, admito, mas só escrevo bem quando algo me afeta. Preciso estar mergulhado em uma angústia particular que ninguém nota, só se me conhecer muito bem. Ou preciso estar em um mar de felicidades que até quem não me conhece percebe.  Não sei se isso é um defeito ou uma qualidade mas prefiro nem saber, talvez seja essa a chave para um futuro sucesso, quem sabe?

Confesso que há um motivo em especial que me atiça a escrever, não especificamente aqui no blog, mas no projeto que ando trabalhando. Acho que a palavra certa nem seria escrever, e sim pensar. Sou o tipo de pessoa que não presta, admito. Deixo as coisas banais chamarem minha atenção e arrancarem minhas risadas. Piadas de humor negro, sensacionalismo barato, ilusões de um país melhor, entre outras. Faço comentários fora de hora, piadas com quase tudo, tenho sempre um pé atrás com as pessoas, sou pessimista, ao mesmo tempo sou persistente, sou tão confiante que na maioria das vezes acabo sendo inseguro, arrisco até o fim, aposto, caio, levanto,  superestimo os que admiro, subestimo os que desprezo, troco essa mesma regra várias e várias vezes, mudo raramente de opinião, abro raras exceções para quase tudo, sou preguiçoso e não acredito muito em altruísmo, embora seja importante continuar tentando acreditar. Mas o mais impressionante é ver como sou quando estou com uma pessoa. Me sinto melhor mesmo sabendo que posso realmente não ser. Me sinto bem, como se tivesse onde me apoiar quando estiver prestes a cair, ainda que eu me esforce contra isso. Me sinto calmo e estranhamente inquieto, meu coração acelera quando a vejo, meu sorriso fica trêmulo, perco a segurança, como se estivesse tão vulnerável como eu nunca fui.

Eu odeio isso. É verdade. Odeio ser vulnerável a isso. Odeio não poder dizer que é só mais uma. Odeio perceber que se um dia disser que não me ama mais, um pedaço de mim vai embora e a ferida será dolorosa, e nem mil e uma tentativas irão fechá-la. Odeio saber que algo assim me alcançou antes que eu pudesse adquirir conhecimento de como combater. Odeio não combater. Odeio ter tentado combater sem sucesso. E odeio ainda mais não querer mais combater.

É tão difícil explicar. E o pior, é tão fácil sentir. Sentir o rosto corar quando me elogia, ou ver ela mordendo os lábios, encabulada. É tão ruim pensar que nunca ficaremos juntos. E é ao mesmo tempo tão bom cogitar que ainda podemos acabar juntos, olhando pra trás e agradecendo por ter terminado dessa forma. Só Deus sabe como eu torço, oro, vibro ao imaginar e aguardar um final feliz onde nosso beijo sela esse filme conturbado. Acho que na verdade ele não deve mais aguentar me ouvir falar, reclamar e pedir isso.

“Cara, arranja algo pra fazer e deixa que eu cuido disso, fica frio.” – ele deve dizer.

E não está errado, embora meus pensamentos não se desviem de forma fácil. A cada bom dia, a cada boa noite, a cada vez que tocamos nesse nosso dilema (sim, não é mais uma coisa que possamos cuidar de forma individual, é um problema em dois, dois em um. Um só.). Gosto de imaginar às vezes que isso tudo faz parte de um tratamento com algum psiquiatra que me fez afundar em um daqueles “comas” que vemos na tv, e eu simplesmente preciso achar a saída, mas quando vejo que a única saída é levando-a comigo e deixando tudo pra trás numa louca e mirabolante explosão de acontecimentos, vejo que é a vida real. É mais profundo. É mais forte. É um desafio? Um teste para ver se aguento esperar? Não sei, só sei que adoro desafios. E sei que a amo. Isso basta.

Bom, é melhor eu parar por aqui, meu sono e o seu que tem a coragem de ler os posts ja devem estar em sincronia, o que indica que é hora de me despedir. Não sei direito quando será o próximo post e muito menos qual será, mas em breve pretendo postar algum dos projetos aqui novamente. Foi bom poder reanimar o blog e tirar as teias com as mãos.

Que venha o próximo post. E que não demore!

Abraços!

Diego Dias

Publicado em: às março 14, 2010 em 7:10 am  Deixe um comentário  

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